junho 27, 2013

Sobre uma possível vida.

Abriu os olhos e não sabia onde estava. Não era comum de acontecer, mas certamente sabia que não era a primeira vez. Não via nada mais que relva seca e alta ao seu redor, o sol meio baixo e a certeza de que não havia chegado ali por vontade própria. Ficou um tempo encarando o céu sem nuvens no chão e ouvindo o farfalhar do vento nas pequenas flores ali ao seu redor.  Paz. Era só isso que sentia, e só isso fazia se sentir especial.
Pensou em seu pai, sua mãe. Decidiu se levantar e sentir as folhas em suas mãos. O perfume que exalava aquele ambiente era algo que jamais havia sentido. Se paciência tivesse um cheiro, definitivamente seria aquele. Levantou-se e ia observando todo aquele verde que ia se esvaindo em tons de amarelo, dourado, cobre... Ia se esquecendo, aos poucos, do porque fazia aquilo.
Ia andando lentamente, apreciando a paisagem, olhando os pássaros que cruzaram o céu vez ou outra. Esquecendo-se do porque andava e observava. Sentia o vento bater em seu rosto e começava a se questionar sobre a vida, a se questionar porque estava ali. Perguntas iam e vinham em sua cabeça e nenhuma dessas perguntas havia resposta.
Começou a esquecer das palavras, frases inteiras. Ia cada vez mais lentamente por aquele campo – parecia que não ia acabar nunca. Acabar? Tudo tem um fim? Parou. Olhou ao seu redor, já não se lembrava mais quem era, de onde viera, porque estava ali, o que era ali. Não sabia mais nada. Respirava mais lentamente. Decidiu deitar-se, deixar-se levar.

Deitou, olhou para o céu, ouviu o canto dos pássaros, o farfalhar das flores, sentiu o cheiro, sentiu a paz. Sua visão foi ficando escura, já não conseguia mais ver o azul do céu, os tons amarelos das plantas. Sua audição foi se perdendo e passou a ouvir o nada. Sua respiração ia cessando. Suas pálpebras iam pesando. Acabou. Tudo tem um fim. Parou. Fechou os olhos e não sabia onde estava.


Nenhum comentário:

Postar um comentário