Abriu os olhos e não sabia onde estava. Não era comum de acontecer,
mas certamente sabia que não era a primeira vez. Não via nada mais que relva
seca e alta ao seu redor, o sol meio baixo e a certeza de que não havia chegado
ali por vontade própria. Ficou um tempo encarando o céu sem nuvens no chão e
ouvindo o farfalhar do vento nas pequenas flores ali ao seu redor. Paz. Era só isso que sentia, e só isso fazia
se sentir especial.
Pensou em seu pai, sua mãe. Decidiu se levantar e sentir as
folhas em suas mãos. O perfume que exalava aquele ambiente era algo que jamais
havia sentido. Se paciência tivesse um cheiro, definitivamente seria aquele.
Levantou-se e ia observando todo aquele verde que ia se esvaindo em tons de
amarelo, dourado, cobre... Ia se esquecendo, aos poucos, do porque fazia
aquilo.
Ia andando lentamente, apreciando a paisagem, olhando os pássaros
que cruzaram o céu vez ou outra. Esquecendo-se do porque andava e observava.
Sentia o vento bater em seu rosto e começava a se questionar sobre a vida, a se
questionar porque estava ali. Perguntas iam e vinham em sua cabeça e nenhuma
dessas perguntas havia resposta.
Começou a esquecer das palavras, frases inteiras. Ia cada
vez mais lentamente por aquele campo – parecia que não ia acabar nunca. Acabar?
Tudo tem um fim? Parou. Olhou ao seu redor, já não se lembrava mais quem era,
de onde viera, porque estava ali, o que era ali. Não sabia mais nada. Respirava
mais lentamente. Decidiu deitar-se, deixar-se levar.
Deitou, olhou para o céu, ouviu o canto dos pássaros, o
farfalhar das flores, sentiu o cheiro, sentiu a paz. Sua visão foi ficando escura,
já não conseguia mais ver o azul do céu, os tons amarelos das plantas. Sua
audição foi se perdendo e passou a ouvir o nada. Sua respiração ia cessando.
Suas pálpebras iam pesando. Acabou. Tudo tem um fim. Parou. Fechou os olhos e
não sabia onde estava.

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