setembro 07, 2012

Recife, 07 de setembro de 2012


Recife, 07 de setembro de 2012

Minha vida é uma droga. Não gosto de dias como esse, parecem mais domingos, não que vá mudar muita coisa na minha rotina, mas domingo é um dia meio melancólico para mim. Eu sou um homem solitário, eu sei disso, mas minha vida não foi assim o tempo todo, eu me tornei uma pessoa assim com o tempo.  Decidi escrever sobre meus legados na terra para ver se me torno uma pessoa menos ranzinza e rancorosa, mas não creio que isso vá me ajudar. Sei que é moda entre os jovens de hoje criar blogs ou coisas do tipo, mas prefiro ser um pouco mais tradicional e escrever um diário.

Hoje tive um dia normal, normal para minha rotina, claro, pra quem ler isso algum dia pode até não ser. Fiquei na minha casa olhando para as pessoas na rua atrás de minha janela com “fumê”, na esperança de um dia conseguir entender o que se passa na cabeça delas. Na verdade, eu até sei o que se passa, mas entender é que fica meio difícil. Hoje elas passaram de uma maneira engraçada, com um humor um pouco mais patriótico pode-se dizer. Não sei se nacionalista de fato, mas ufanista com toda certeza.

“(...) meu recife pode até tá um pouco mal cuidado, tem casas abandonadas na minha rua, mas pelo menos esse ano um candidato veio até minha rua e falou que ia mudar isso(...) 7 de setembro é uma marca histórica para o Brasil,(...) acho que vou para o desfile esse ano (...)”

Foi algo do tipo que eu ouvi dos pensamentos de uma senhora que mora aqui na minha rua, e sim, essa casa abandonada que ela se refere é a minha. Minha vida não é muito boa afinal de contas, mas pelo menos tomo banho duas vezes por dia, se eu tomasse menos ia morrer de calor. Eu já não posso ficar na rua, já não posso abrir a janela, se eu não tomar banho não sei o que será de mim, se pudesse morrer eu certamente morreria de calor ou desidratação.

Eu não sou muito de escrever, mas talvez esse seja meu único meio de me comunicar com o mundo sem que eu precise entrar na mente das pessoas. Não sei... Sinto como se eu invadisse a casa delas tomasse seus bens. Evito o máximo que posso invadi-los dessa maneira, porém quando o tédio fala mais alto infelizmente não resisto. É como uma droga, mas nada disso se compara à minha decadência. Minha vida é uma droga, e eu acho que não vai adiantar de nada eu escrever essas baboseiras. Não vai mudar minha vida em nada, além disso, eu poderia estar fazendo outras coisas da vida, sei lá... lendo. Acho que essa foi a primeira e a ultima vez que escrevo. 

Adeus ilusão de amigo.

Etham Smith, ou seja lá como vão me chamar.

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